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A Economia Verde e a Economia Real. Vai da certo?

  • Biba Habka
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura


A Rio + 20 terminou deixando o legado de acordos frouxos e grande

mobilização da sociedade civil. Muito se falou da economia verde, mas

parece necessário pensar a sua construção diante dos padrões

econômicos atuais. Precisamos refletir sobre a governança mundial e o

sistema financeiro a luz dos acordos diplomáticos. A pergunta é: a nova

economia verde será possível e sustentável diante das atuais políticas de

governos e mercados de capitais?


As nações endividadas colocam em risco a ordem econômica mundial

impondo incertezas ao crescimento, tradicional ou novo. Os mercados

financeiros instáveis geram incertezas de investimentos com fluxos de

capitais voláteis em desajuste as necessidades de políticas econômicas

sólidas e duradouras. Este quadro - tão atual como nunca - é contrário a

globalização integrada em uma economia verde com padrões fiscais

consistentes entre as nações. Embora seja positiva a situação da

Alemanha, com histórico impulso à economia verde, vemos os Estados

Unidos basicamente refratários aos compromissos verdes. No meio há a

China, crescendo com a economia antiga, mas investindo massivamente

em sustentabilidade.


Os problemas na zona do Euro, com dívidas internas e orçamentos fiscais

insustentáveis; antecedidos pela crise dos subprimes na América, foram

resultados de expectativas de crescimento com alto endividamento de

governos e investidores. Estas práticas irresponsáveis geraram um legado

negativo a ser incorporado na discussão da nova economia. Não há mais

espaço de endividamento e irresponsabilidade fiscal das nações. É urgente

a maior harmonia entre os entendimentos diplomáticos e os intentos

financeiros globais, onde o primeiro viaja em baixa velocidade de

consenso enquanto o segundo prossegue na velocidade da luz.


As discussões sobre padrões econômicos mundiais também deveriam

abordar os limites do modelo acumulador de riquezas e o sistema

bancário, lastreado por emissões fracionais de moeda. São recorrentes as

ajudas financeiras a bancos, em todas as crises. Mas para firmar

compromisso com as políticas verdes, os governos demoram anos.


O sucesso de um novo modelo econômico mundial precisa ser entendido

sob a o crescimento populacional com oferta decrescente de recursos

naturais conjugadas a novas fronteiras de investimento.


A articulação para economia verde precisa da reflexão sobre o modelo

financeiro atual. Ele não é justo para todos. A sociedade civil presente a

Rio + 20 deve seguir sua mobilização pela nova economia visando políticas

públicas harmonizadas para reinversão dos capitais de forma mais

sustentável.

O velho modelo de valoração de ativos financeiros é demais ambicioso

para a nova economia porque tem entre as suas premissas, a liquidez de

capitais e resultados trimestrais que remuneram o capital investido, em

curto prazo. Este dialeto entre sustentável e lucrativo carece de uma

revisão sob a construção de uma nova economia mundial.



A visão de compatibilidade entre as entidades econômicas, financeiras e

articuladoras da nova economia precisa de um mesmo lugar. Atualmente

existem dois mundos: um que discute a sustentabilidade na base de

princípios comuns para o futuro do planeta; e outro, que delibera ações

imediatas para garantir os próximos meses do bem estar das nações. Estes

mundos estão, aparentemente, desconectados.


O exemplo da Presidente Dilma, que deixou o seu país no meio da Rio + 20

para atender a reunião do G20 financeiro no México, mostra o estado de

fragilidade e submissão do mundo diplomático ao mundo econômico

atual. A sustentabilidade que pensamos precisa da integração dos fóruns

econômicos e diplomáticos sob uma mesma liderança e coerência de

ações dentro de um espírito de governança integrada para o novo mundo

verde que projetamos.

 
 
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